Invento palavras nas lacunas das conversas.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Terça-feira, Junho 23, 2009
Sábado, Junho 13, 2009
Para dentro
Orelhas escutem as funções renais
Olfatos inebriem-se com os perfumes intestinais
Olhares mirem-se remando por nervos ópticos
Lábios mordisquem os vasinhos e sujem-se dos eritrócitos
Línguas lambam os esôfagos
Bocas extasiem-se com os sabores dos estômagos
Unhas arranhem os neurônios
Dedos desprendam-se pelos axônios
Gargantas engulam os sais hepáticos
Membros alcancem o pulsar dos residentes músculos torácicos
Corpos dissolvam-se em suor e tornem-se massa una
e gozem sincronizados as emoções dos órgãos vários.
Avante amantes, tanto mais para dentro quanto mais se forem necessários!
Por ontem, aos namorados. E aos não. Para amar melhor apenas.
Olfatos inebriem-se com os perfumes intestinais
Olhares mirem-se remando por nervos ópticos
Lábios mordisquem os vasinhos e sujem-se dos eritrócitos
Línguas lambam os esôfagos
Bocas extasiem-se com os sabores dos estômagos
Unhas arranhem os neurônios
Dedos desprendam-se pelos axônios
Gargantas engulam os sais hepáticos
Membros alcancem o pulsar dos residentes músculos torácicos
Corpos dissolvam-se em suor e tornem-se massa una
e gozem sincronizados as emoções dos órgãos vários.
Avante amantes, tanto mais para dentro quanto mais se forem necessários!
Por ontem, aos namorados. E aos não. Para amar melhor apenas.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Visita a Itabira
Aqui a gente anda como absorvesse
as partículas das palavras.
Aquelas mesmas por que
se encantou o poeta menino.
Organizando-se em mesmas e outras.
Há delas nos ares, nas arquiteturas,
nas simplicidades, nas simpatias.
Até no latido doente do cachorrinho.
Até nos morros cavoucados e nos vales
e nas portas fechadas
guardando cinzas de histórias.
Há delas, principalmente e bastantes,
nos molhadinhos de chuva fininha
nos Carlos emplacados espalhados
vivendo em cada canto da cidade.
Aqui a gente anda absorvendo.
Partículas que se amotinam
tum tum tum Tumbaitá
o toque no coração
na hora em que partirá este trem
trenzinho menor do mundo.
as partículas das palavras.
Aquelas mesmas por que
se encantou o poeta menino.
Organizando-se em mesmas e outras.
Há delas nos ares, nas arquiteturas,
nas simplicidades, nas simpatias.
Até no latido doente do cachorrinho.
Até nos morros cavoucados e nos vales
e nas portas fechadas
guardando cinzas de histórias.
Há delas, principalmente e bastantes,
nos molhadinhos de chuva fininha
nos Carlos emplacados espalhados
vivendo em cada canto da cidade.
Aqui a gente anda absorvendo.
Partículas que se amotinam
tum tum tum Tumbaitá
o toque no coração
na hora em que partirá este trem
trenzinho menor do mundo.
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Altruegoísmo
Se te agradar, não me agradeças,
pois que me agrado mais do que a ti
quando sinto que te deixo
bem. Tudo o que faço por ti é,
antes, por mim.
A mão, dou-te espontânea
para colher força e suor da tua.
O bombom que te ofereço adoça-me
os segundos de vida em que o degustas.
Se te empresto meu único casaco, é porque
protejo-me de um frio quando o vestes.
Minhas palavras boas, que gostas
de ouvir, saem-me da boca apenas porque
sabem, a mim, arrancar-te um sorriso.
É o meu descanso que me trazes
quando é tarde e vejo teus olhos
úmidos dormidos sob afagos
no meu colo.
Vê: é o meu prazer que vem
primeiro. Não te iludas, pois.
Não!, não me agradeças.
Gratidão, sou eu, meu bem,
a ti, quem deve.
pois que me agrado mais do que a ti
quando sinto que te deixo
bem. Tudo o que faço por ti é,
antes, por mim.
A mão, dou-te espontânea
para colher força e suor da tua.
O bombom que te ofereço adoça-me
os segundos de vida em que o degustas.
Se te empresto meu único casaco, é porque
protejo-me de um frio quando o vestes.
Minhas palavras boas, que gostas
de ouvir, saem-me da boca apenas porque
sabem, a mim, arrancar-te um sorriso.
É o meu descanso que me trazes
quando é tarde e vejo teus olhos
úmidos dormidos sob afagos
no meu colo.
Vê: é o meu prazer que vem
primeiro. Não te iludas, pois.
Não!, não me agradeças.
Gratidão, sou eu, meu bem,
a ti, quem deve.
Terça-feira, Maio 19, 2009
Quando
Quando a cigana chamar
Vou pagar pro futuro ela ler
Quando o capoeira jogar
Vou gingar pro meu corpo benzer
Quando o cura chegar
Vou dobrar pra minha alma valer
Quando mãe santa entoar
Vou ofertar pra Oxalá proteger
Quando aprender a rezar
Vou rogar para deus responder
Ah! mas quando o tempo chamar...
Oh! quando minha hora chegar...
Quem será vai me ler?
Quem por mim vai rezar?
Oxalá alguém me venha benzer!
Que o futuro vai parar de jogar
As respostas não vão me curar
Nem a mãe vai me proteger
A alma não vai mais gingar
O corpo não vai mais valer
Vou pagar pro futuro ela ler
Quando o capoeira jogar
Vou gingar pro meu corpo benzer
Quando o cura chegar
Vou dobrar pra minha alma valer
Quando mãe santa entoar
Vou ofertar pra Oxalá proteger
Quando aprender a rezar
Vou rogar para deus responder
Ah! mas quando o tempo chamar...
Oh! quando minha hora chegar...
Quem será vai me ler?
Quem por mim vai rezar?
Oxalá alguém me venha benzer!
Que o futuro vai parar de jogar
As respostas não vão me curar
Nem a mãe vai me proteger
A alma não vai mais gingar
O corpo não vai mais valer
Sexta-feira, Maio 15, 2009
Para quem é inútil a poesia
deve ser igualmente inútil a vida.
Porque, qual sentido de uma
senão com a outra?
Por que despertar-se ao amanhecer
se os braços de sol não abraçam?
Se não for por campos salpicados de flores
não tem por que segurar a enxada
na lida diária.
Sem amar as estrelas
tanto as grandes quanto
as menos brilhantes
e beijá-las todas na tez
da noite ou durante o dia
não há graça em ver o céu
não há razão de tê-lo sobre.
Assim deve ser a vida
assim como é a poesia.
Pisar a terra, sentar na relva
ser ouvidos atentos
aos dizeres de alma
dos pássaros
das plantas e das pedras.
Viver direito
adequadamente ao que
para o que viver foi feito
é mergulhar profundo
saudando tubarões e anêmonas
e cavalos e ostras e tudo
o mais que houver no mar.
Quem maldiz a poesia
qual tensa mosca pálida
se mantém na superfície.
deve ser igualmente inútil a vida.
Porque, qual sentido de uma
senão com a outra?
Por que despertar-se ao amanhecer
se os braços de sol não abraçam?
Se não for por campos salpicados de flores
não tem por que segurar a enxada
na lida diária.
Sem amar as estrelas
tanto as grandes quanto
as menos brilhantes
e beijá-las todas na tez
da noite ou durante o dia
não há graça em ver o céu
não há razão de tê-lo sobre.
Assim deve ser a vida
assim como é a poesia.
Pisar a terra, sentar na relva
ser ouvidos atentos
aos dizeres de alma
dos pássaros
das plantas e das pedras.
Viver direito
adequadamente ao que
para o que viver foi feito
é mergulhar profundo
saudando tubarões e anêmonas
e cavalos e ostras e tudo
o mais que houver no mar.
Quem maldiz a poesia
qual tensa mosca pálida
se mantém na superfície.
Domingo, Maio 10, 2009
de ser
Dói tanto pensar
que queria ser doente da mente
ou ter nascido bicho de comer capim
Dói tanto amar
que queria ter pedra no peito
ou, pelo menos, ter plenitude em mim
Dói tanto o pensamento amoroso
Dói tanto o amor pensativo
que sentir já não tem sentido
que já não tem razão a razão
Dói tanto tanto esta dor de ser
que até seria bom dissolver
que até me faz um pouco feliz
saber que esta vida tem fim
que queria ser doente da mente
ou ter nascido bicho de comer capim
Dói tanto amar
que queria ter pedra no peito
ou, pelo menos, ter plenitude em mim
Dói tanto o pensamento amoroso
Dói tanto o amor pensativo
que sentir já não tem sentido
que já não tem razão a razão
Dói tanto tanto esta dor de ser
que até seria bom dissolver
que até me faz um pouco feliz
saber que esta vida tem fim
Quinta-feira, Abril 30, 2009
Aniversário de um silêncio II
Sal de queijo não comido
aroma de vinho não bebido
alegria não vivida de noite
entalhados na memória de sabores
Hoje celebro.
Não os tempos de silêncio,
mas as vozes da herança que me gritam
Há dois anos, papai não fala mais comigo...
aroma de vinho não bebido
alegria não vivida de noite
entalhados na memória de sabores
Hoje celebro.
Não os tempos de silêncio,
mas as vozes da herança que me gritam
Há dois anos, papai não fala mais comigo...
Terça-feira, Abril 21, 2009
Um presente pra mim
"Tão durinha e delicada
que seria impossível
não perceber a nuance de bailarina.
Dos teus movimentos exala
um bocado de alegria
e muito, muito cheiro de rosa.
Toma em tuas mãos
esse livrinho cinza que
era minha vida
e deixa eu comemorar,
brindando com o
sangue que escorre
das tuas costas,
o cheiro de rosa
que agora suavemente
persegue-me até em casa."
Ganhei este poema do meu querido amigo Beto. Eu não mereço, mas ele escreveu pra mim e me deu. O Beto é um dos melhores cariocas! Uma pessoa especial e linda! Uma pessoa que amo! Ele é poeta e nem sabe.
que seria impossível
não perceber a nuance de bailarina.
Dos teus movimentos exala
um bocado de alegria
e muito, muito cheiro de rosa.
Toma em tuas mãos
esse livrinho cinza que
era minha vida
e deixa eu comemorar,
brindando com o
sangue que escorre
das tuas costas,
o cheiro de rosa
que agora suavemente
persegue-me até em casa."
Ganhei este poema do meu querido amigo Beto. Eu não mereço, mas ele escreveu pra mim e me deu. O Beto é um dos melhores cariocas! Uma pessoa especial e linda! Uma pessoa que amo! Ele é poeta e nem sabe.
Domingo, Abril 05, 2009
Coisa esquisita
Aos que amo. A todos.
Louvando a flor - Foto de Elaine Lemos
Tenho aqui uma coisa imensa comigo.
Mais que imensa, é infinita!
Não sei se é doença
sim ou não, é de nascença
Fica andando aqui por dentro
quiçá, de pernas, tem centenas
deixando a barriga estranha,
fazendo se rirem as entranhas
Por causa desta coisa,
meu coração se esquenta
o peito quase arrebenta
sempre que penso flores,
cheiro abelhas, vejo
brisas, sinto as gentes...
Não sei bem que coisa é esta
é coisa que não se explica
deve ser o tal do amor
porquanto é coisa esquisita
Terça-feira, Março 31, 2009
Domingo, Março 22, 2009
Constante
Não sei do amor novo
Não sei do amor de novo
Não sei do amor mais de uma vez
Porque talvez seja, o amor, de sempre
Aparente, quando se ama
Quando se não, latente
Não sei do amor de novo
Não sei do amor mais de uma vez
Porque talvez seja, o amor, de sempre
Aparente, quando se ama
Quando se não, latente
Quinta-feira, Março 12, 2009
Sexta-feira, Março 06, 2009
Domingo, Março 01, 2009
Poema do cão
Ao amigo poeta Cássio Amaral
Noites cheias, algo chupa
a lua e cospe
a espada santa
Uiva! Uiva! Uiva,
cão danado!, cão
irado!, cão azul!
Blue, deep blue, deep blue inside
Like all the dogs are
Aplica um blues
na veia d’alma
em estado de espírito
empírico, elíptico, etílico
uivando letras
enfáticas
gritando pedras
fáticas
jorrando pérolas
– “asas distraídas” –
pelos ares
seculares
virando estrelas
virando estrelas
virando estrelas
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Para um bom 2009 e uns outros anos
Nestes dias de valores
escamoteados, invertidos
em que viram mocinhos,
os bandidos
sugiro-lhes que,
munidos
de lupas, espelhos e outros
ópticos dispositivos
busquem indignados,
incisivos
os verdadeiros valores
positivos.
Por dias mais
merecidos.
Adaptação da mensagem de fim de ano que não mandei, escrita após a reunião de encerramento.
E porque não sonho mais com a paz do mundo.
escamoteados, invertidos
em que viram mocinhos,
os bandidos
sugiro-lhes que,
munidos
de lupas, espelhos e outros
ópticos dispositivos
busquem indignados,
incisivos
os verdadeiros valores
positivos.
Por dias mais
merecidos.
Adaptação da mensagem de fim de ano que não mandei, escrita após a reunião de encerramento.
E porque não sonho mais com a paz do mundo.
Terça-feira, Dezembro 23, 2008
Amigo Poético
Está rolando o Amigo Poético 2008! A entrega de presentes já está acontecendo! São 3 poemas por dia (http://blogdesete.blogspot.com/)! Eis os presentes, o que eu recebi do Élcio (http://instantes.blogger.com.br/) e o que dei para a Pavitra (http://metamorfraseando.blogspot.com/):
Quem sou eu
(duas partes)
Uma releitura ou
Sopa de letrinhas!
Loucuras
Descalça
Desse
Outro mundo
Sou Irmã
Sou filha
Anjo torto
Levanto
Sapatos
Admiração
Sou fração
Sou sombrancelha
Achoquesou
Coisaerrada
Zeroàesquerda
Espanto
Cabisbaixa
Loucura
Pergunto
Devo ser
Talvez
Pontos
Apenas
Isolados
Duas partes
Devo
Ser
Ai!
Não tomei
Comi
Paraíso encontrado
Levou-me a correnteza e eu conheci!
Ah! tivesse remado
mais cedo teria encontrado...
Quantos bichinhos alados
perdi fazendo flap-flap por aqui?
Mas não faço cerimônia na chegada:
piso o verdinho do gramado
roçam-me os pés, as folhinhas orvalhadas
aquieta-me as idéias, o farfalhar das copas
invadem-me os olhares, todas as tonalidades
respiro tão fundo, tão fundo, que me entram
as almas das flores pelas narinas
e sirvo-me das saborosas pétalas
das metamorfoses fraseadas
Quem sou eu
(duas partes)
Uma releitura ou
Sopa de letrinhas!
Loucuras
Descalça
Desse
Outro mundo
Sou Irmã
Sou filha
Anjo torto
Levanto
Sapatos
Admiração
Sou fração
Sou sombrancelha
Achoquesou
Coisaerrada
Zeroàesquerda
Espanto
Cabisbaixa
Loucura
Pergunto
Devo ser
Talvez
Pontos
Apenas
Isolados
Duas partes
Devo
Ser
Ai!
Não tomei
Comi
Paraíso encontrado
Levou-me a correnteza e eu conheci!
Ah! tivesse remado
mais cedo teria encontrado...
Quantos bichinhos alados
perdi fazendo flap-flap por aqui?
Mas não faço cerimônia na chegada:
piso o verdinho do gramado
roçam-me os pés, as folhinhas orvalhadas
aquieta-me as idéias, o farfalhar das copas
invadem-me os olhares, todas as tonalidades
respiro tão fundo, tão fundo, que me entram
as almas das flores pelas narinas
e sirvo-me das saborosas pétalas
das metamorfoses fraseadas
Terça-feira, Dezembro 16, 2008
?? anos
Quando alguém vai embora
como conta os anos quem fica?
Começa a contagem a partir desta hora
Para ter-se a idade do alguém noutra vida?
como conta os anos quem fica?
Começa a contagem a partir desta hora
Para ter-se a idade do alguém noutra vida?
Papai completaria 58 hoje.
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
Domingo, Agosto 10, 2008
Significado
Agora eu entendo...
É perceber o lugar vazio sob a mesa
a porta fechada às dezoito e trinta
o radinho de pilha emudecido de manhã
É a sensação da rotina mutilada
do espaço pelo agente
da constância dessas coisas
É fazer falta o bom conselho
a reprimenda merecida
e a proteção daquele abraço
É ter que saber, secada a fonte
consertar sem ferramentas
defender-se sem escudo
É sentir o coração pulsar incrédulo
toda vez que se introduz no ventre
a agulha da lembrança da partida
É ter em átimo de átimo amiúde
a consciência fugidia resgatando
encontros impossíveis futuros
É imaginar como seria se fosse
noutro dia, o que seria dito
ou quanto se riria
Agora eu entendo
esse tempo em que o baú
de certas memórias é aberto
só para consultas de vozes e
risos e atos, pois ali
não há mais espaço
para novas daquelas histórias
Agora eu entendo
porque vivo
o que quer dizer saudade
É perceber o lugar vazio sob a mesa
a porta fechada às dezoito e trinta
o radinho de pilha emudecido de manhã
É a sensação da rotina mutilada
do espaço pelo agente
da constância dessas coisas
É fazer falta o bom conselho
a reprimenda merecida
e a proteção daquele abraço
É ter que saber, secada a fonte
consertar sem ferramentas
defender-se sem escudo
É sentir o coração pulsar incrédulo
toda vez que se introduz no ventre
a agulha da lembrança da partida
É ter em átimo de átimo amiúde
a consciência fugidia resgatando
encontros impossíveis futuros
É imaginar como seria se fosse
noutro dia, o que seria dito
ou quanto se riria
Agora eu entendo
esse tempo em que o baú
de certas memórias é aberto
só para consultas de vozes e
risos e atos, pois ali
não há mais espaço
para novas daquelas histórias
Agora eu entendo
porque vivo
o que quer dizer saudade
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