quarta-feira, agosto 30, 2006
domingo, agosto 20, 2006
Somente
Estas invenções pobres
Sem qualquer patente
Que ninguém compra
E nada mais.
(Só isso, assim...)
Desta confusa mente
Que sonha em ser louca
E nada mais.
(Só mente...)
Pois que a loucura,
Essa doce estranha,
Deve ser da genialidade
domingo, agosto 06, 2006
O derradeiro
Estava sentindo uma dor de dente intensamente boa! Não que eu goste de dor de dente. Não sou masoquista não. Mas era muito boa aquela dor de dente que eu sentia! Aí resolvi visitar meu dentista. Depois de muito examinar ele decidiu: Você vai ter que extrair seus sisos. Quais, doutor? Todos os que lhe restam. Eu não queria, porque só tinha um e dá dó extrair o último dente do siso. Fiquei de pensar.A dor aumentava e aumentava exponencialmente com o passar do tempo e então resolvi seguir o conselho do meu dentista. Mas não fui visitá-lo. Tentei eu mesma fazer o serviço com a ajuda de um amigo do dentista, que por coincidência também estava com dor de dente do siso. Abri a boca para o espelho para me despedir. E apontei: é aquele ali. O amigo do dentista laçou o dente supostamente culpado com um pedaço comprido de fio dental. E, é claro, para retribuir o favor, também lacei o siso dele. E então, segurando as duas pontas do fio sabor hortelã que roçavam meu queixo, puxei. Senti uma outra dorzinha muito boa. Puxei e puxei e puxei. Tchuc! Consegui! Nem saiu muito sangue, mas fiquei um pouco triste porque meu último siso tinha ido embora... E foi-se pelo ralo... E a história se repetiu para o amigo do dentista ao mesmo tempo.
Naquele dia não senti mais dor, só aquela tristeza do vazio que ficara no fundo da minha boca. E um nó na garganta. Mas a partir do dia seguinte a dor voltou. E agora está tão intensa que não sei o que fazer, porque nem tenho outro siso para arrancar. Se bem que andei sentindo uma coisa esquisita na gengiva. Acho que está nascendo outro.
segunda-feira, julho 31, 2006
quinta-feira, julho 27, 2006
Planta do pé
bem às vezes,
dá fruto
aqui neste pé
da planta que arde.
Mas sempre tem bicho...
Fora o quebra-quebra
quebra-galho.
Aí vem a foice.
É poda!
É que fizeram o favor
de me plantar o pé
quinta-feira, julho 20, 2006
Filiação
reféns
da Mãe Terra e
do Pai Chão
Um dia ele nos mata
No outro ela nos come
É um come chão...
É um terra moto...
terça-feira, julho 18, 2006
Self-service
Em versos
É o inverso
De ser servo,
Sente o verbo
E sem vergonha
Sinta
Sorva
Sirva-se!
domingo, julho 16, 2006
sexta-feira, julho 14, 2006
(In)Sônia III
Nix e Hipnos - "Night and Sleep" - Evelyn de Morgan
E vêm novamente
As vozes vilãs
Ecoar no quarto
Da mente de Sônia:
Senhora ora ora!
Já são duas horas oras oras!
Assustada, com a
Pulsação acelerada,
Sônia se esforça
Em salvar seu sono
Sem sucesso
Porque as forças repulsivas
São mais fortes que
A vontade de dormir
E os cílios de cima
Tentam alcançar as sobrancelhas
E Sônia reflete,
Iluminada pela luz noturna
Entrando pela
Frestinha da janela:
A culpa é sua!
São seus amiguinhos
Bichinhos saltitantes malvados
Que carregam este fardo
Seguindo sempre morrendo de rir
E o colchão deformado
E o lençol amassado
E o travesseiro ensebado
De idéias conduzidas
Pelo suor da testa
Já não agüentam mais
Mas a agonia termina
Quando começa o dia
Com o despertador e os raios de sol
Fazendo, gentilmente, Sônia
Sorrir de satisfação
quarta-feira, julho 12, 2006
Por-que ficou
Por que nosso carro
viajando pela rua
não ultrapassa a lua?
Nem questiono:
Como pode o bom velhinho
visitar toda criançada
em única madrugada?
(Já não acho o mundo assim tão grande...)
Mas, felizmente, ainda guardo
fiapos das pelúcias dos ursinhos
grudados no céu da boca...
E as interrogações?
Há estas tantas que
permaneceram,
madureceram
dentro de mim criança
pedindo arrego,
rogando ao deus da dúvida,
de duvidosa existência,
sábado, julho 01, 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
Tudo vejo
pra mim!
Vê que estes meus
olhos de peixe
mortos
vêem mais do que
apresentam
poder
ver
haja vista que
são bem grandes
e sem defeitos!
Haja vista
para tanto ver!
Enxergo teus exageros,
teus desesperos e
todos teus segredos
Assisto atentamente
tua movimentação!
Nem penses em disfarçar,
que te observo!
Nem tentes me enganar,
que te percebo!
Não, não te escondas,
quinta-feira, junho 15, 2006
Sono
Luzes apagadas, olhos fechados,
Corpos esticados, mentes descansadas,
Corações lentos, almas distraídas...
Assim não se pode
Agir,
Amar
Depois, o amanhecer
Leva o mundo às ruas
Com suas bengalas cegas
A golpear os meios-fios,
Os sapatos alheios e
Os lentos corações...
Mas deve haver um lado de lá do mundo
Em que os habitantes estão despertos
E espertos se percebem e
Se permitem acelerar os corações a
Tantas batidas quantas possíveis
Por minuto de vida
domingo, junho 11, 2006
quarta-feira, junho 07, 2006
Química
Havia química
E a física confundiu
As forças de sua natureza
A gravitacional lutou na separação dos corpos - antes unidos
Foram as cargas opostas traídas pela eletromagnética - antes fiel
E a fraca e a forte inverteram seus papéis - antes vividos
Lá, bem dentro dos núcleos
Porque as duras leis do universo - proibitivas
Trouxeram às partes o desafio:
Não...
...Gerar correntes contínuas...
... Produzir um trem de pulsos...
... Excitar estados quânticos...
... Entrar em ressonância...
... Viajar tal qual um fóton...
...Não
Assim, à razão foi dada razão
E restou o calor se dissipando
Reduzindo a energia cinética dos átomos do desejo
Para trazer um pouco de física para a poesia, já que há poesia na física. Por que não?
domingo, junho 04, 2006
Um post para agradecer
"Fui lá de novo.
Que belo ovo
Você botou dessa vez.
Nem sei como fez.
Mas posso dizer tranquilo,
Nunca ví aquilo
Até quando irá me surpreender?
Até das palavras eu me perder?
Rabisque suas qualidades,
Escreva as novidades.
Me conte dos dias
E das alergias.
Me mostre como se mostra,
Me faça perder a aposta..."
Um toque no coração de cada um!
terça-feira, maio 30, 2006
Toque
Entre
Toques
Hum...
Toque
Um toque
Na toca
Toca tudo
Nada
Pro fundo
Mergulho
Profundo...
Toquem valsas!
Cantem hinos!
Com toda força, toque!
Ah...
Toque
Hum...
Toque
Tudo...
Toque
Profundo...
No meu coração!
domingo, maio 28, 2006
Saúde!
este
seco
tempo
Num gole
de vinho seco
Seco a taça num minuto
Molho co’a saliva a borda
Em que dedos deslizam sons.
E fica a língua a querer mais.
E banhando-me com o líquido
Liquido a sede num segundo




