Foi-se o tempo e eu fiquei. Para. Vazia.
Os meninos hoje só me chamam de tia.
Na crise dos 30. Completados hoje. Tem mais no Blog de 7.
terça-feira, outubro 13, 2009
sábado, outubro 10, 2009
Tempestade
Já não sentem minhas lágrimas
as terras encharcadas
onde cultivo tuas ausências.
Seguem-me sombrias nuvens
chove saudade em pancadas
setas geladas
no peito ao dorso.
Aos poucos,
nas breves estiagens,
tento despetalar-te de mim
a flor que és.
Na próxima terça-feira, novamente no B7C
as terras encharcadas
onde cultivo tuas ausências.
Seguem-me sombrias nuvens
chove saudade em pancadas
setas geladas
no peito ao dorso.
Aos poucos,
nas breves estiagens,
tento despetalar-te de mim
a flor que és.
Na próxima terça-feira, novamente no B7C
terça-feira, outubro 06, 2009
quarta-feira, setembro 30, 2009
haicai
lilases das flores
atapetando passagens
chuvas de setembro
Eu semana que vem no Blog de 7 cabeças a convite da Sandra querida. Ai que medo!
atapetando passagens
chuvas de setembro
Eu semana que vem no Blog de 7 cabeças a convite da Sandra querida. Ai que medo!
domingo, setembro 20, 2009
Mundo ideal
Quero viver em um mundo em que a ordem seja a loucura.
Em que um abraço seja o bom-dia ao porteiro
e um beijo, o ingresso do cinema.
Em que sejam estranhos os que andem calçados
e punidos os que não contem estrelas
só por contar.
Em que o mais importante ofício
seja procurar semelhanças entre pipocas e nuvens.
Quero viver em um mundo em que a ordem seja a loucura.
Em que se tome sorvete de sopa de lentilhas no inverno
e que ardam fogueiras em qualquer estação.
Em que se usem binóculos para matar a saudade dos que estiverem ao lado
e pinças para colecionar as pintas e as rugas do amor.
Em que toda segunda-feira chuvosa seja o dia oficial
de se deitar de bruços no gramado e conversar com as formigas.
Quero viver em um mundo em que a ordem seja a loucura.
Em que homens virtuosos sejam os ébrios e os nus
e vivam sempre de cara limpa os imorais.
Em que sejam internados os incapazes de escutar conselhos
de espelhos e paredes.
Em que seja normal
quem acenda um poema na madrugada
para ler partículas de luz em uma face.
Em que um abraço seja o bom-dia ao porteiro
e um beijo, o ingresso do cinema.
Em que sejam estranhos os que andem calçados
e punidos os que não contem estrelas
só por contar.
Em que o mais importante ofício
seja procurar semelhanças entre pipocas e nuvens.
Quero viver em um mundo em que a ordem seja a loucura.
Em que se tome sorvete de sopa de lentilhas no inverno
e que ardam fogueiras em qualquer estação.
Em que se usem binóculos para matar a saudade dos que estiverem ao lado
e pinças para colecionar as pintas e as rugas do amor.
Em que toda segunda-feira chuvosa seja o dia oficial
de se deitar de bruços no gramado e conversar com as formigas.
Quero viver em um mundo em que a ordem seja a loucura.
Em que homens virtuosos sejam os ébrios e os nus
e vivam sempre de cara limpa os imorais.
Em que sejam internados os incapazes de escutar conselhos
de espelhos e paredes.
Em que seja normal
quem acenda um poema na madrugada
para ler partículas de luz em uma face.
terça-feira, setembro 08, 2009
quarta-feira, setembro 02, 2009
Adorno
Passou distraído, tropeçou na flor, eu vi.
A coitadinha pendeu, mas voltou,
manteve-se no seu papel de enfeitar.
Passou de novo muito, muito concentrado em si.
Pisou, quebrou, uma pétala caiu, chorou.
Corri, cuidei, ergui.
Chamaram-no meus dedos cheios de formigas.
Dei-lhe minha flor cansada, doída,
que insistia no seu papel de enfeitar.
Enfeitou-lhe o rosto, fê-lo sorrir.
A coitadinha pendeu, mas voltou,
manteve-se no seu papel de enfeitar.
Passou de novo muito, muito concentrado em si.
Pisou, quebrou, uma pétala caiu, chorou.
Corri, cuidei, ergui.
Chamaram-no meus dedos cheios de formigas.
Dei-lhe minha flor cansada, doída,
que insistia no seu papel de enfeitar.
Enfeitou-lhe o rosto, fê-lo sorrir.
sábado, agosto 29, 2009
Fonte
Palavras são poucas,
são pequenas,
não comportam tudo
o que tem dentro da gente.
Por isso minha voz se cala,
embora reclamem que eu fale,
embora reclamem se não falo.
Mas apesar da água humilde, escrevo.
E quando escrevo
uso esta fonte mesmo:
Times.
Porque Hipocrene é dos poetas,
não me meto a beber por lá.
E mesmo para os poetas,
perdoem o atrevimento,
creio finita a abundância.
Morreremos de sede, ainda,
porque, eu sei, a fonte um dia seca.
Bebamos desse raso, pois.
Times.
Porque sei que um dia isso tudo acaba,
esse tudo pouco.
Essa escassez de símbolos.
são pequenas,
não comportam tudo
o que tem dentro da gente.
Por isso minha voz se cala,
embora reclamem que eu fale,
embora reclamem se não falo.
Mas apesar da água humilde, escrevo.
E quando escrevo
uso esta fonte mesmo:
Times.
Porque Hipocrene é dos poetas,
não me meto a beber por lá.
E mesmo para os poetas,
perdoem o atrevimento,
creio finita a abundância.
Morreremos de sede, ainda,
porque, eu sei, a fonte um dia seca.
Bebamos desse raso, pois.
Times.
Porque sei que um dia isso tudo acaba,
esse tudo pouco.
Essa escassez de símbolos.
segunda-feira, agosto 24, 2009
Menina
A infância adormeceu no colo da mulher,
nos braços da menina que se deitou
no topo do morro de terra vermelha
ao lado de sua boneca preferida de roupinha rasgada.
O coraçãozinho cresceu, agora cabe tanta coisa
onde só cabia pureza, onde o palpitar acelerado
significava cansaço de brincar de pega-pega.
Agora cabe tanta coisa, tanta coisa que não é brincadeira.
Os olhinhos que brilhavam curiosos e choravam quando o corpo
doía de cair de bicicleta, brilham pouco menos e choram mais,
mas de outras dores.
O frio da maturidade chegou tão de repente pedindo uma sopa.
Há pedacinhos de infância escondidos na sopa, ela descobre.
E de vez em quando, cuidando de não estragar o batom,
ainda tira da língua algum fiapo das pelúcias dos ursinhos.
E de vez em quando, sozinha e descalça,
percebe-se fazendo trancinhas no cabelo da boneca.
nos braços da menina que se deitou
no topo do morro de terra vermelha
ao lado de sua boneca preferida de roupinha rasgada.
O coraçãozinho cresceu, agora cabe tanta coisa
onde só cabia pureza, onde o palpitar acelerado
significava cansaço de brincar de pega-pega.
Agora cabe tanta coisa, tanta coisa que não é brincadeira.
Os olhinhos que brilhavam curiosos e choravam quando o corpo
doía de cair de bicicleta, brilham pouco menos e choram mais,
mas de outras dores.
O frio da maturidade chegou tão de repente pedindo uma sopa.
Há pedacinhos de infância escondidos na sopa, ela descobre.
E de vez em quando, cuidando de não estragar o batom,
ainda tira da língua algum fiapo das pelúcias dos ursinhos.
E de vez em quando, sozinha e descalça,
percebe-se fazendo trancinhas no cabelo da boneca.
quinta-feira, agosto 20, 2009
Presente
Fui ter com o futuro debaixo de uma lona.
Enquanto uma boca vermelha e uns dentes
dourados proferiam previsões que eu não ouvia,
sentia um cheiro de chocolate,
um cacau de ar, despertador desta saudade.
Saí derrubando cadeira numa pressa.
Caloteei o que não viria.
Um caminho muito conhecido passa
por mim rapidinho de trás para frente.
Continuo correndo, o peito chiando vontades,
tentando alcançar meu hoje, embora eu saiba
que já fizeste as malas.
Enquanto uma boca vermelha e uns dentes
dourados proferiam previsões que eu não ouvia,
sentia um cheiro de chocolate,
um cacau de ar, despertador desta saudade.
Saí derrubando cadeira numa pressa.
Caloteei o que não viria.
Um caminho muito conhecido passa
por mim rapidinho de trás para frente.
Continuo correndo, o peito chiando vontades,
tentando alcançar meu hoje, embora eu saiba
que já fizeste as malas.
domingo, agosto 16, 2009
bravo medo
Disparate de miedo - Francisco de Goya
Eu me rio de quem reza
desses que não agem
porque têm, da morte, esse pavor
Ora, deixem de bobagem,
ora, façam-me o favor!
Não sabem que é temer!
Medo que se preza
não é o da passagem
que não tem muito valor
Medo de coragem
é o tal medo do amor
é este medo de viver
quarta-feira, agosto 12, 2009
A gripe A
Dá tanto murro
no peito o nariz apontado
pro alto o homem cheio
de orgulho de si
de ser superior
Nesta hora anda pequeno
olhando pro chão da sala
de estar sozinho esmurra a ponta
da faca cobre o nariz
com paninho pra não tropeçar
no invisível temendo cair
derrubado por um vírus.
no peito o nariz apontado
pro alto o homem cheio
de orgulho de si
de ser superior
Nesta hora anda pequeno
olhando pro chão da sala
de estar sozinho esmurra a ponta
da faca cobre o nariz
com paninho pra não tropeçar
no invisível temendo cair
derrubado por um vírus.
quarta-feira, julho 29, 2009
Toada do desenlace
aqueles acordes
que não executei
acompanhavam meu réquiem
cada nota soada
era uma lágrima
dos que eu amava
as mãos cruzadas
sobre o ventre delatavam
o enjôo que escondia
e a cada nota que os molhava
e a cada lágrima que ouviam
os meus dedos se mexiam
Desculpe, esqueci que enjoo já não leva chapéu. Mas agora que lembrei, não quero tirar. Esse aí prefere ficar assim.
que não executei
acompanhavam meu réquiem
cada nota soada
era uma lágrima
dos que eu amava
as mãos cruzadas
sobre o ventre delatavam
o enjôo que escondia
e a cada nota que os molhava
e a cada lágrima que ouviam
os meus dedos se mexiam
Desculpe, esqueci que enjoo já não leva chapéu. Mas agora que lembrei, não quero tirar. Esse aí prefere ficar assim.
sábado, julho 25, 2009
Mergulho
Finquei-me no escafandro roto
de quereres impossíveis
com a saudade do que não tinha sido.
Fiquei em mim por dois minutos.
Dois minutos.
Os goles de cerveja
já não preenchem todos os vazios.
São muitos.
Queria ficar mais, mas não podia.
Findei mais dois goles.
Embebi-me de vazios.
Em apnéia, dois minutos.
Podia ficar mais, mas morreria.
de quereres impossíveis
com a saudade do que não tinha sido.
Fiquei em mim por dois minutos.
Dois minutos.
Os goles de cerveja
já não preenchem todos os vazios.
São muitos.
Queria ficar mais, mas não podia.
Findei mais dois goles.
Embebi-me de vazios.
Em apnéia, dois minutos.
Podia ficar mais, mas morreria.
quinta-feira, julho 23, 2009
segunda-feira, julho 13, 2009
Simbiose
mulos mijam nos muros
pra regar as trepadeiras
trepadeiras trepam faceiras
pra satisfazer os mulos
No dia do rock. Não tem nada a ver, mas e daí?
pra regar as trepadeiras
trepadeiras trepam faceiras
pra satisfazer os mulos
No dia do rock. Não tem nada a ver, mas e daí?
segunda-feira, julho 06, 2009
Uma visão
Vi um homem cantar os lindos.
Vi um homem beber os fortes.
Vi um homem comer os bons.
Vi um homem comer e cantar
e beber e sustentar os fracos,
abraçar os maus, admirar os feios.
Vi um homem plantar lírios e colher
girassóis e ofertá-los.
Vi um homem lavar bem os olhos
e olhar os outros,
preparar bem a boca
e beijar as outras.
Vi um homem amar mais do que tudo
o amor que não tinha nos homens.
Vi um homem.
Vi um homem beber os fortes.
Vi um homem comer os bons.
Vi um homem comer e cantar
e beber e sustentar os fracos,
abraçar os maus, admirar os feios.
Vi um homem plantar lírios e colher
girassóis e ofertá-los.
Vi um homem lavar bem os olhos
e olhar os outros,
preparar bem a boca
e beijar as outras.
Vi um homem amar mais do que tudo
o amor que não tinha nos homens.
Vi um homem.
terça-feira, junho 23, 2009
Loquacidade
Invento palavras nas lacunas das conversas.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
Abismo meus mistérios.
Compreendam meus silêncios.
sábado, junho 13, 2009
Para dentro
Orelhas escutem as funções renais
Olfatos inebriem-se com os perfumes intestinais
Olhares mirem-se remando por nervos ópticos
Lábios mordisquem os vasinhos e sujem-se dos eritrócitos
Línguas lambam os esôfagos
Bocas extasiem-se com os sabores dos estômagos
Unhas arranhem os neurônios
Dedos desprendam-se pelos axônios
Gargantas engulam os sais hepáticos
Membros alcancem o pulsar dos residentes músculos torácicos
Corpos dissolvam-se em suor e tornem-se massa una
e gozem sincronizados as emoções dos órgãos vários.
Avante amantes, tanto mais para dentro quanto mais se forem necessários!
Por ontem, aos namorados. E aos não. Para amar melhor apenas.
Olfatos inebriem-se com os perfumes intestinais
Olhares mirem-se remando por nervos ópticos
Lábios mordisquem os vasinhos e sujem-se dos eritrócitos
Línguas lambam os esôfagos
Bocas extasiem-se com os sabores dos estômagos
Unhas arranhem os neurônios
Dedos desprendam-se pelos axônios
Gargantas engulam os sais hepáticos
Membros alcancem o pulsar dos residentes músculos torácicos
Corpos dissolvam-se em suor e tornem-se massa una
e gozem sincronizados as emoções dos órgãos vários.
Avante amantes, tanto mais para dentro quanto mais se forem necessários!
Por ontem, aos namorados. E aos não. Para amar melhor apenas.
segunda-feira, junho 08, 2009
Visita a Itabira
Aqui a gente anda como absorvesse
as partículas das palavras.
Aquelas mesmas por que
se encantou o poeta menino.
Organizando-se em mesmas e outras.
Há delas nos ares, nas arquiteturas,
nas simplicidades, nas simpatias.
Até no latido doente do cachorrinho.
Até nos morros cavoucados e nos vales
e nas portas fechadas
guardando cinzas de histórias.
Há delas, principalmente e bastantes,
nos molhadinhos de chuva fininha
nos Carlos emplacados espalhados
vivendo em cada canto da cidade.
Aqui a gente anda absorvendo.
Partículas que se amotinam
tum tum tum Tumbaitá
o toque no coração
na hora em que partirá este trem
trenzinho menor do mundo.
as partículas das palavras.
Aquelas mesmas por que
se encantou o poeta menino.
Organizando-se em mesmas e outras.
Há delas nos ares, nas arquiteturas,
nas simplicidades, nas simpatias.
Até no latido doente do cachorrinho.
Até nos morros cavoucados e nos vales
e nas portas fechadas
guardando cinzas de histórias.
Há delas, principalmente e bastantes,
nos molhadinhos de chuva fininha
nos Carlos emplacados espalhados
vivendo em cada canto da cidade.
Aqui a gente anda absorvendo.
Partículas que se amotinam
tum tum tum Tumbaitá
o toque no coração
na hora em que partirá este trem
trenzinho menor do mundo.
Assinar:
Postagens (Atom)

